Durante a sessão plenária realizada nesta quinta-feira, 12, o colegiado do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE/SE) registrou manifestação de solidariedade à procuradora da República Gisele Bleggi Cunha, diante de ataques e comentários ofensivos direcionados a ela nas redes sociais após a divulgação de um vídeo relacionado à sua participação em atividade institucional no município de Propriá.
A manifestação foi iniciada pela conselheira-presidente do TCE/SE, Angélica Guimarães, que destacou a importância de preservar o respeito no debate público e repudiou as manifestações de cunho misógino dirigidas à procuradora.
“A crítica de ideias, posicionamentos ou manifestações públicas faz parte do ambiente democrático e deve ser preservada. No entanto, o que se observa nesse caso ultrapassa claramente os limites da crítica legítima e passa a configurar ataques pessoais que atingem a honra, a dignidade e a imagem de uma mulher no exercício de sua função pública”, afirmou.
A presidente também ressaltou que as redes sociais não podem ser tratadas como espaços sem responsabilidade. “O debate público precisa ser conduzido com respeito, civilidade e compromisso com os valores democráticos”, pontuou.
Ainda em sua fala, Angélica Guimarães destacou que o episódio ocorre no mês de março, período em que se intensificam as reflexões sobre a luta histórica das mulheres por igualdade, respeito e dignidade. “Infelizmente, situações como essa mostram que o enfrentamento à misoginia e às diversas formas de violência contra a mulher ainda é um desafio presente em nossa sociedade”, afirmou, ao registrar a solidariedade da presidência e do Tribunal à procuradora.
A manifestação recebeu o apoio de todo o colegiado. A conselheira Susana Azevedo reforçou que a liberdade de expressão é um valor essencial em uma sociedade democrática, mas não pode ser confundida com autorização para ofensas ou desqualificação pessoal e profissional.
“O respeito deve nortear tanto a convivência no mundo real quanto no ambiente virtual”, destacou.
Também durante a sessão, o procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC/SE), Eduardo Côrtes, ressaltou a parceria institucional da procuradora com o Tribunal de Contas e com o Ministério Público de Contas em diversas atuações, especialmente na área ambiental.
Ele classificou como injustificados os ataques dirigidos à procuradora e lamentou que, ainda nos dias atuais, mulheres sejam alvo de comentários que ultrapassam o campo do debate público. “É inconcebível que, em pleno século XXI, homens se sintam autorizados a fazer comentários sobre a imagem ou o corpo de mulheres que estão no exercício de suas funções”, afirmou.
Ao final das manifestações, o colegiado reiterou a solidariedade institucional à procuradora e reforçou a defesa de um ambiente público pautado pelo respeito, pela responsabilidade e pela valorização da dignidade das mulheres.