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Assistente de inteligência artificial do TCE/SE responde a 3,4 mil consultas de servidores

​A MarIA, assistente de inteligência artificial desenvolvida internamente pelo Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE/SE), respondeu a 3.480 consultas de servidores entre 1º de junho e 5 de outubro de 2026, período em que o Tribunal passou a registrar formalmente cada atendimento. No intervalo, 140 servidores recorreram à ferramenta ao menos uma vez, o equivalente a cerca de 24% dos 583 usuários que acessaram o sistema de processo eletrônico no mesmo período.

A ferramenta entrou em operação em abril de 2026 e passou a ser utilizada diariamente a partir de maio. O registro detalhado de uso teve início em 1º de junho, permitindo ao Tribunal acompanhar os números por servidor e por tipo de consulta. Desde então, aproximadamente 90% dos atendimentos foram concluídos pela assistente.

Após três meses com volume estável, setembro registrou 1.014 atendimentos, o maior número desde o início do levantamento. O mês também alcançou o recorde de usuários diferentes, com 80 servidores utilizando a ferramenta. No mês anterior, foram 52. 

A ampliação do uso acompanha as capacitações internas sobre a ferramenta, conduzidas pelo auditor de Tecnologia da Informação do TCE/SE Pedro Silva Neto. Para ele, a incorporação da inteligência artificial aos processos de trabalho tornou-se necessária diante do volume e da velocidade das demandas enfrentadas pelos órgãos públicos.

“A evolução junto com a inteligência artificial já é uma realidade. Quem não incorporar esses recursos aos seus processos de negócio não vai conseguir atender às demandas que chegam hoje — nem no volume, nem no prazo que se espera de um órgão de controle”, afirma Pedro Silva Neto.

Quatro frentes de atuação

Atualmente, a MarIA funciona em quatro frentes, direcionadas a diferentes atividades desempenhadas no Tribunal. A MarIA Processual concentra a maior parte da utilização: foram 2.977 consultas, correspondentes a 86% do total. A ferramenta lê informações do processo eletrônico e auxilia na elaboração de minutas de atos.

Já o Assistente do e-TCE, voltado à orientação dos servidores nas rotinas do sistema de processo eletrônico, contabilizou 322 consultas. A MarIA Público, que permite consultar a base de normativos do Tribunal, recebeu 119 consultas, enquanto o Chat Analítico, destinado à consulta de dados de prestação de contas dos municípios e órgãos estaduais, registrou 62 atendimentos.

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Além das interações realizadas diretamente pelos servidores, a tecnologia atua em uma camada automatizada que não aparece na forma de conversa com o usuário. Todas as madrugadas, rotinas convertem peças processuais em texto pesquisável. Desde setembro, 15.015 páginas de 1.820 peças foram processadas dessa forma, facilitando a localização de informações que anteriormente dependiam de leitura manual.

Os dados também mostram que a utilização da assistente acompanha o calendário de atividades do Tribunal. Nas terças, quartas e quintas-feiras, dias em que tradicionalmente ocorrem as sessões dos colegiados, a MarIA é acionada 59% mais do que nos demais dias úteis. O comportamento indica que a ferramenta vem sendo incorporada ao fluxo de trabalho já existente no órgão.

Apoio ao servidor, sem substituir a análise

A utilização da inteligência artificial no TCE/SE ocorre com limites definidos. A MarIA não julga processos, não toma decisões e não assina documentos. As manifestações permanecem sob responsabilidade do servidor ou da autoridade competente.

Da mesma forma, a ferramenta não substitui a análise técnica. Os conteúdos produzidos funcionam como minutas e respostas a consultas e precisam ser conferidos antes de serem utilizados nos processos. A assistente também não amplia o acesso do usuário às informações: as permissões são as mesmas já atribuídas ao servidor nos sistemas do Tribunal.

“O ganho não está em substituir o servidor, está em devolver tempo a ele. A minuta sai em minutos, mas quem lê, corrige e assina continua sendo quem sempre respondeu pelo processo”, destaca o coordenador de Modernização do TCE/SE, Miguel Augusto Barreto Melo.

Tecnologia também auxilia no desenvolvimento dos sistemas

O uso de inteligência artificial no Tribunal vai além das consultas realizadas pelos servidores. O maior volume de utilização ocorre nos bastidores, durante o desenvolvimento dos próprios sistemas institucionais.

Nos últimos 90 dias, foram registradas 109.320 execuções de modelos de inteligência artificial pela equipe de tecnologia. Os recursos são empregados na escrita e revisão dos códigos das aplicações utilizadas pelo TCE/SE, incluindo o desenvolvimento da própria MarIA.

Os números, entretanto, não são diretamente comparáveis às 3.480 consultas feitas pelos servidores. Isso porque uma única tarefa de programação pode demandar dezenas de execuções de modelos, enquanto uma consulta realizada por um usuário normalmente utiliza apenas uma. A diferença entre os volumes está, portanto, relacionada à natureza de cada atividade e não à prioridade atribuída a cada tipo de uso da inteligência artificial.

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